domingo, 30 de novembro de 2025

Amor próprio




Muitas vezes confundimos o amor com sentimentos e comportamentos que, na verdade, nos afastam dele. Culpa, cobrança, sacrifício, autoabandono, baixa autoestima, dependência emocional, medo da opinião dos outros, necessidade de aprovação — tudo isso pode parecer amor, mas não é. O amor verdadeiro é o oposto dessas forças que nos adoecem. Ele não nasce da dor, da renúncia ou da obrigação, mas da liberdade, da escolha consciente e da capacidade de se cuidar primeiro para então cuidar do outro.

Amar é reconhecer que só posso estar inteiro para alguém se primeiro estiver inteiro para mim. O amor próprio não é egoísmo, é responsabilidade consigo mesmo, é aprender a se priorizar, estabelecer limites, atender suas necessidades em primeiro lugar e valorizar sua autenticidade. Quando cultivamos amor próprio, nos tornamos exemplo de cuidado e inspiração para quem está ao nosso redor.

No acompanhamento de familiares de pacientes em terminalidade, é comum encontrar um pesado sentimento de culpa. Muitos acreditam que se divertir, cuidar de si ou seguir vivendo é uma forma de desrespeitar quem está doente, mas isso é uma distorção. O verdadeiro amor não pede que você se sacrifique até se perder de si mesmo, ele deseja que você continue sendo quem é, que mantenha sua vida, seus prazeres, sua autoestima e sua alegria, porque quem nos ama, mesmo em meio à doença, deseja nos ver bem. Cuidar jamais deve ser sinônimo de autoabandono, o cuidado só é genuíno quando nasce de um coração que também se cuida.

Se você percebe que o papel de cuidador está prejudicando sua relação consigo mesmo, impedindo que você viva sua vida, peça ajuda. Busque caminhos de autoconhecimento e apoio terapêutico para ressignificar o que é o amor. Amar é se libertar da culpa, da necessidade de aprovação e do medo de ser julgado. Amar é se olhar com ternura, se respeitar e se cuidar. É compreender que, às vezes, precisamos de nós mesmos mais do que nunca, e que o amor próprio é urgente. Ele é o solo fértil onde o verdadeiro amor floresce. Quando você se cuida, honra não apenas a si mesmo, mas também aqueles que ama, porque mostra que o vínculo que os une é feito de vida, dignidade e compaixão. Amar é cuidar sem se abandonar, é se nutrir para poder nutrir, é ser inteiro para si, para então ser presença verdadeira para o outro.

 




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