quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Quando você não se reconhece mais após uma perda

Se você não se reconhece mais, tudo bem. Muitas pessoas enlutadas descrevem a sensação de que, depois da morte de alguém amado, uma nova versão de si mesmas tomou o lugar da antiga — como se um estranho tivesse se mudado para dentro do próprio corpo.

E essa sensação pode ser profundamente desconcertante. Há um luto silencioso pela pessoa que você era antes da perda. Um ressentimento sutil por ter mudado tão rápido, quase da noite para o dia. Uma saudade da sua versão gentil, previsível, tranquila… aquela que parecia saber quem era.

Mas o luto nos transforma. E essa transformação, embora dolorosa, não significa que você está “quebrado” — significa apenas que você está tentando sobreviver ao impossível.

Se o seu novo “eu” te assusta, te confunde ou te atormenta, tente se aproximar dele com delicadeza. Fale com ele como falaria com alguém que você está conhecendo pela primeira vez. Com curiosidade. Com respeito. Com paciência.

Você pode dizer a si mesmo:

  • “Nunca nos encontramos antes, então estou curioso para saber quem você é.”
  • “Não entendo por que você faz o que faz, mas estou disposto a aprender.”
  • “Eu sei que não nos encontramos nas melhores circunstâncias, então me perdoe se eu estiver um pouco amargo ou distante no começo.”

Você não precisa gostar dessa nova versão ainda. Não precisa entendê-la. Não precisa abraçá-la como parte de você.

A única coisa necessária, por agora, é reconhecer que ela existe — e que ela está tentando te proteger da dor de um jeito que talvez você ainda não compreenda.

Com o tempo, esse “novo eu” pode se tornar menos estranho. Pode se tornar alguém que você aprende a acolher. Pode até se tornar alguém mais forte, mais sensível, mais profundo do que você imaginava ser capaz de ser.

O luto não pede que você volte a ser quem era. Ele pede apenas que você caminhe, com gentileza, ao lado de quem você está se tornando.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

SER

“Apenas seja no mundo” é um convite à presença plena e autêntica. Significa abandonar, por instantes, a necessidade de controlar, planejar o...