Se você
não se reconhece mais, tudo bem. Muitas pessoas enlutadas descrevem a sensação
de que, depois da morte de alguém amado, uma nova versão de si mesmas tomou o
lugar da antiga — como se um estranho tivesse se mudado para dentro do próprio
corpo.
E essa
sensação pode ser profundamente desconcertante. Há um luto silencioso pela
pessoa que você era antes da perda. Um ressentimento sutil por ter mudado tão
rápido, quase da noite para o dia. Uma saudade da sua versão gentil,
previsível, tranquila… aquela que parecia saber quem era.
Mas o
luto nos transforma. E essa transformação, embora dolorosa, não significa que
você está “quebrado” — significa apenas que você está tentando sobreviver ao
impossível.
Se o seu
novo “eu” te assusta, te confunde ou te atormenta, tente se aproximar dele com
delicadeza. Fale com ele como falaria com alguém que você está conhecendo pela
primeira vez. Com curiosidade. Com respeito. Com paciência.
Você pode
dizer a si mesmo:
- “Nunca nos encontramos
antes, então estou curioso para saber quem você é.”
- “Não entendo por que você
faz o que faz, mas estou disposto a aprender.”
- “Eu sei que não nos
encontramos nas melhores circunstâncias, então me perdoe se eu estiver um
pouco amargo ou distante no começo.”
Você não
precisa gostar dessa nova versão ainda. Não precisa entendê-la. Não precisa
abraçá-la como parte de você.
A única
coisa necessária, por agora, é reconhecer que ela existe — e que ela está
tentando te proteger da dor de um jeito que talvez você ainda não compreenda.
Com o
tempo, esse “novo eu” pode se tornar menos estranho. Pode se tornar alguém que
você aprende a acolher. Pode até se tornar alguém mais forte, mais sensível,
mais profundo do que você imaginava ser capaz de ser.
O luto
não pede que você volte a ser quem era. Ele pede apenas que você caminhe, com
gentileza, ao lado de quem você está se tornando.

Nenhum comentário:
Postar um comentário