Eu escuto com frequência familiares e amigos de pessoas cuja doença é incurável, progressiva e ameaça a continuidade da vida. Eles sofrem intensamente por ver o ente querido padecer e, quanto mais a doença avança, mais o sofrimento se espalha por todos.
Eu mesma sofri muito ao acompanhar minha tia, vendo-a dia após dia ser tomada por um tumor que crescia rapidamente e lhe causava dores extremas. Foram dias de desespero e sofrimento profundo. Eu só pensava em quando ela ficaria sem dor, em que momento poderia relaxar e encontrar algum alívio. Havia dias em que o caos parecia não ter fim, mas em algum instante a medicação fazia efeito e ela conseguia dormir algumas horas. Em outros momentos, passava longas horas — às vezes noites inteiras — esperando que o remédio trouxesse algum alívio.
Quando a dor estava em um nível mais suportável, ela me permitia fazer massagens. Eu sabia que minhas mãos não curavam suas dores, mas mesmo assim ela aceitava, porque havia ali um gesto de cuidado e amor. Raras foram as vezes em que vi minha tia completamente sem dor.
O que aprendi com ela foi a importância de pensar no agora, no já. A prioridade sempre foi controlar a dor na medida do possível, para depois compartilhar companhia, assistir televisão juntas, segurar sua mão ou ajudá-la a escrever o que desejava dizer.
Com essa experiência, compreendi que a urgência é sempre cuidar da dor física, dos desconfortos respiratórios e de qualquer queixa do corpo. E quando amamos, não há como não sentir uma dor terrível no peito, uma agitação acompanhada de ansiedade, desejando que algum milagre aconteça e a pessoa volte a estar tranquila e em paz. Muitas vezes me emocionei e chorei com minha tia, porque ela significava muito para mim e sabia o quanto me doía vê-la sofrer.
Por isso, digo de coração: não tenham medo de expressar o que sentem. O choro é uma expressão natural do amor. É o coração dizendo que nos importamos, que o sofrimento do outro nos atravessa, que queremos fazer o melhor mesmo quando estamos limitados. É também a forma de mostrar que enxergamos o outro, que o sentimos, e que sua dor nos impacta porque ele vive em nós.
Sinceramente, o que aprendi é que o mais importante é fazermos o nosso melhor dentro do que é possível naquele momento pelo familiar ou amigo que está doente e vivendo situações extremas. Quando a parte física estiver sendo cuidada, procure criar um oásis para essa pessoa. Pergunte: “Neste tempo que passarei com você, como deseja aproveitá-lo? O que posso fazer para melhorar seu dia?” Respeite se ela quiser ficar em silêncio ou sozinha com seus pensamentos. Houve dias em que minha tia não queria massagem; eu apenas me sentava ao seu lado, em silêncio, e ela sabia que minha presença era amor.
Sim, vamos chorar muito, nos desesperar, sofrer junto. Mas em algum momento a medicação fará efeito, e aí poderemos criar nossos pequenos oásis com quem amamos. O que importa de verdade é que a pessoa tenha a certeza, em seu coração, de que não está atravessando a turbulência sozinha. E quando a calmaria chegar, estaremos lá, juntos, vivendo momentos de afeto, amor e cumplicidade. Eu tive, sim, momentos de emoção e gratidão com minha tia. Num mesmo dia, a gente se desespera, chora, se descontrola, mas também pode reconhecer que o amor se faz presente. É a sensação de andar em uma montanha-russa em um único dia.
Hoje guardo em meu coração todos os tipos de memórias com minha tia: de sofrimento, dor, desespero e raiva, mas também de emoção, afeto, acolhimento e gratidão. A doença não será apenas dor e tristeza; para isso, precisamos criar nossos momentos de companheirismo e amor.
Assim é o caminho: hora turbulência, hora calmaria. O essencial é não soltar a mão e permanecer presente.

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